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Você já ouviu falar que a curiosidade matou o gato? Bom, nenhum gato vai ler isso mesmo.
Me chamo Aislin, meu nome verdadeiro está na lista da CIA então não posso divulgá-lo - mas vocês podem descobrir facilmente :p Tenho a idade da minha mãe, menos 27 anos, sou doida, chata, e tudo mais. Por isso, querem saber algo mais? Perguntem.

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Layout por AislinRFD
Imagem por Maddiemax
Uol.


*_* De Poemas, de Amores e de Monstros *_*

"O mais belo poema de amor
Que nunca sequer foi escrito
Ressoa na alma com ardor
Ignorando razão e sentido

Perde-se a fome de dor
E a gula de um perdoar
Que seja o que não se for
Realidade é imaginar

Os pedidos ditos no silêncio
Precisam, então, se ocultar
Dos olhos famintos e intensos
Que teimam em retornar

Que besta é essa que assombra
O objeto, amado e amante
E pede sempre que se esconda
Ao menos por um ínfimo instante?

Que carcereiro é esse, o amor
Que a morte trouxe de longe
Do jardim que criou sem flor
Cultivado talhado em bronze?

Pobre do querido medonho
Que chorou lendo isto, e chora
Pois são linhas em que exponho
A maldita vontade que o explora

De beijos, em sonhos, apenas
Sentiria o gosto de cinzas
E nem mesmo palavras amenas
Libertariam lágrimas contidas

Feridas em toda a palma
Ardendo, sangrando, matando
Por bater nos vidros das salas
Fugindo do friorento remanso

Essa fera cega e ferida
Que some na noite, caçadora
Almejando carne, faminta
Vagando, eterna perdedora

E nem mesmo além do mar
Onde o céu já se perdeu em ilusão
Evaporam-se os amores, no ar
Quando não passamos de alucinação

Ninguém se dá conta no mundo
De versos dignos do paraíso
Se todos voltamos para o fundo
Não há de haver verso de amor preciso"

Depois de tempos, quem sabe eu volte?
Ou quem sabe não.



Escrito por AislinRFD às 10h37
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*-*-*-*-*


*-* Fim *-*

"E assim aconteceu
Como já era esperado
Iniciou e se perdeu
No passado indesejado

O seu desejo já é mentira
O coração, gelou de novo
A poça que no chão havia
Tornou-se sangue ao olhar turvo

Suas mãos tremem, a boca seca
E se recusa a falar mais
Diz "esqueça tudo, nos esqueça,
O que passou ficou pra trás"

E enfim, nesse deserto imenso
Seus pés afundam e falta o ar
Morre aos poucos, some o senso
Dos sentidos volta a paz

Ela sabe que não adianta
Chorar, bater, correr, gritar
Levanta os olhos e ergue a manta
Que cobre todo o seu falhar

Já não lhe importa o que passou
Arrependimento não existe
Amor, talvez, mas contornou
A vergonha de ver-se triste

Enxuga o rosto, sobe a fronte
Sorri para os que estão do lado
Ao derrotado espera a morte
E a ela cabe o fardo"



Escrito por AislinRFD às 19h56
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*-*-*-*-*


*-* Poça de Gelo Derretido *-*

"Isso tudo é uma loucura
É isso o que minha mente me diz
Que mergulharei numa intensa amargura
Nesse mar cheio de areia e giz

Tudo o que penso, transformo numa pergunta
Tudo o que sinto é uma triste indecisão
Repleta de indagações confusas
Sobre a nossa estranha situação

Esse gelo que me cobria o coração, impenetrável
Se transformou numa poça aos meus pés
A chave guardada no peito, inseparável
Eu daria a você, se a nós quiser

Os acordes do meu piano
Já não são mais decididos
São temerosos, cortados
E cada compasso partido

Esse óraculo que tanto me ajudou
Enfim já não me dá mais respostas
Nada do que antes me revelou
Se mostra claro hoje, agora

O vidro que me escondia, partiu-se
Acho que você não pode ver
O medo que tenho do que posso sentir
Nesse novo estado que venho a conhecer

Quem sabe nada do que eu escrevi faça sentido
E seja tudo uma alucinação inconstante
Todos esses sentimentos antes despercebidos
Me tragando para um abismo num instante

Só gostaria que sua mente fosse um livro
Dado a mim para ler
Para desvendar tudo o que eu preciso
E saber se eu poderei algum dia te ter"



Escrito por AislinRFD às 11h37
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*-*-*-*-*


*-* Um Dia *-*

"Ontem foi um dia estranho.
A rotina de sábado, a qual eu já me acostumava, foi quebrada. Felizmente, não foi uma quebra ruim, como quando você tropeça naquela rua já tão conhecida, mas onde naquele instante estava uma pedrinha infernal...
Não, foi algo mais... Alegre, brilhante, vivo. Uma surpresa inusitada, pegando-me pelas mãos e me levando da multidão. O barulho e as luzes já não estão tão fortes, mas permanecem lá, aguçando os sentidos, dando um significado diferente ao que chamam "romântico".
É estranho. Essas palavras, escritas agora de manhã, impulsionadas por uma pergunta, um ato e uma falta, me põem um sorriso no rosto. Essa falta de cor, que antes me assombrava, agora mostra-se um manto sobre uma luz extremamente esverdeada. Eu não sei o porquê, mas acho que se descobrir não haverá mais graça...
Eu vejo, agora, que vinte e quatro horas podem fazer uma diferença estranha. Podem atualizar fatos, retornar risos, reviver mágoas e criar coisas novas. Situações... Que não precisam de música lenta e velas para serem especiais.
Resta saber se os dias estranhos voltarão."



Escrito por AislinRFD às 12h37
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*-*-*-*-*


*-* Espelho, Espelho *-*


"Espelho, espelho, lhe peço ajuda
Com o coração apertado e a mente aflita.
Me responda, espelho, sem exitação:
Por que minhas unhas arranham o chão?

Espelho, espelho, consegue me ouvir?
Me diga: por que são todos assim?
Confusos, perdidos, poços de indecisão.
Amigo, me ajude, dê-me uma explição.

Espelho, espelho, não consigo entender
Por que amam tanto esse eterno sofrer?
Será que não vêem que é um suicídio
Viver para alguém como num sacrifício?

Espelho, espelho, pode a mim perdoar?
Perdoar esse sangue que mancha teu altar?
Essa minha inocênia, espelho, querido,
Que te transformou num tesouro partido?"



Escrito por AislinRFD às 08h15
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*-*-*-*-*


*-* É Assim... *-*


Você não é como os outros...
Você é um artista. Você pinta, você toca.
Você se sente...
Diferente...
Sente mais que os outros... Mais intensamente...
Como eu...
Entende isso?...

Não sei...
Não um artista, só um louco. Um descrente, perdido, lacrado. Dez mil passos andados em sentido contrário, de ponta cabeça, com os pés queimando e os olhos ardendo com lágrimas.
Está de ponta cabeça, pés atados numa árvore qualquer da encruzilhada mais escura que sua mente insana e poluída pode criar. É um demônio, santificado pela besta que você mesmo criou, prisioneiro de seus temores e seus desejos...
Pinta outro quadro. Toca outra canção. Ouça a batida.  De novo, e de novo, e de novo, mais rápido, mais forte... O violino que toca a melodia e lhe embala o sono, e te trás de volta ao ninho...
E nada do que eu escrevo me faz sentido. Minha mente está perdida, admita, sofrendo sozinha num canto escuro...
E o tique taque do relógio, onde está? Nem ao menos consegue mais ouvir... Não faz diferença. As horas vão mais rápido, depois mais devagar, pra quê matar-se para alcançá-las? Morrer com dor...
Contenha as reticências! Age como um mago preso num espelho, incerto do próprio poder, com medo do que deseja, pulando de susto quando a porta abre sozinha e a luz entra com a brisa fria de cada noite. Está só, não vê?... Talvez não. Não sei.
Não sabe também.
E voltamos a ser aquela criança perdida, almejando subir os degrais de pedra e chegar ao sótão atrás do relicário que é o tempo, um tesouro. Pule, empilhe os livros empoeirados e deixe essa boneca de porcelana para trás...
Não fará diferença quando você cair... Você ouvirá o violino tocando para você esse réquiem, essa peça antiga e nova, feita para teu rosto, morta e incapacitada...
Como minha mente eternamente incapaz...
Como minha alma quase completamente morta...
E meu coração pede descanso e se transforma em pedra.

Não sei...
Não sei ainda se eu entendo.



Escrito por AislinRFD às 23h47
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*-*-*-*-*


*-* Deus, o Cupido e os Três Amores *-*

"Existem várias coisas que eu acho que nunca tirarão da minha mente: o mundo não pára de girar se nós paramos, o tempo não corre mais depressa porque queremos, a morte não se adia se precisamos...
Mas existem duas coisas que eu sei, e não suporto:
Que Deus não soube escrever o manual da forma certa...
E que o cupido bateu a cabeça ao se apaixonar por Psiquê...
E todos nós já bebemos um cálice do que resulta essa mistura quando jogada no caldeirão da vida. Mas para cada um a experiência é diferente, única e, por vezes, absurda e tenebrosa.
Para alguns, a mistura tem gosto doce, odor de flores e brilha levemente em vermelho. Reconforta, renasce, e dá-lhes um novo gosto por todo o resto - e por um "resto" especial entre os outros. Eles sentem, então, o anseio de compartilhar essa alegria inexplicável e deveras insana que aparece do nada, d´um olhar perdido no tempo e no espaço, um sorriso lançado devagar para aprisionar a alma do servo leal e, assim, incapacitado de viver mais sem o gesto. Aí, o amante se torna vassalo do amor, e cabe ao ser amado a decisão da salvação ou pena eterna.
Com esses, o cupido estava, portanto, menos triste.
Alguns não chegam a sequer sentir seu sabor. Desce rápido demais, sumindo da lembrança. "O que aconteceu?", "por que eu não amo assim?", "por que isso nunca aconteceu comigo também?", sussurram, esperando que um ser caia a seus pés e lhes responda suas dúvidas para que possam dormir uma noite em paz. São pobres seres que nunca conheceram o amor, salvos da pena infinita que é a dor de cada partida após um beijo com gosto de morte.
Com esses, o culpido estava, portanto, mais alegre.
E existem ainda aqueles que temem o cálice mais que tudo, e para eles seu conteúdo tem sabor de sangue e cheira a dor, descendo pela garganta como fogo líquido, mostrando que a maior perda é a da lúcidez quando o coração bate - ou deixa de bater - mais rápido, mais forte, mais vezes... As palavras perdem-se junto à sanidade, a dor consome o corpo e a mente cai em torpor. Quando menos esperam, correntes se prendem em seus pescoços, e o que era nascimento se torna um funeral da felicidade. Eles, sim, são os que mais sofrem, presos numa gaiola, com a chance dolorosa de sair e pisar na grama novamente, mas com algo ou alguém que os arrasta de volta a cada instante, tornando-os incapazes de sentir tamanho sentimento. E o amor se torna fruto de uma indecisão e confusão que quase sempre levam à loucura, às três malditas palavras que consentem uma tortura infinitamente breve e longa, ansiada e temida ao mesmo tempo.
Com esses, o culpido estava, portanto, treinando para ser Deus.
Mas com todos eles, no fim, o cálice se torna uma besta para devorá-los, e cabe a a mim apenas abaixar meu rosto, sorrir, e esperar até que o "eu te amo" pare de me fazer sangrar".

PS: Quem quiser me dar presente de aniversário, eu aceito o/ XDDD
Imagem: "Love Is..." de http://trinity-77.deviantart.com



Escrito por AislinRFD às 10h16
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*-*-*-*-*


*-* Tempo de Espelhos Distorcidos Parte 1 *-*

Ainda imagino o que acontecerá quando eu fechar os olhos. O mundo não vai deixar de girar por isso, mas mesmo assim parece que tudo pára e se perde no desconhecido da ilusão, da agonia de sonhar mais um pouco, de desejar algo que pode já estar infinitamente perdido.
Quando paro para pensar em tudo o que deixei para trás, sim, me lembro de tanto e esqueço de tudo. Perdi coisas importantes, pequenos cristais do meu eu despedaçado e reconstituído, e a cada lembrança deixada no caminho, eu me vi mudando. Hoje, não sou mais aquela que conheceram criança, que conheceram adulta, que conheceram humana. A cada dia eu fui uma pessoa diferente, vivendo experiências estranhas e únicas que já não posso mais repetir.
Mas para quê repetir o mesmo trecho de uma música? Não é melhor continuá-la, de fá para sol, recriando os acordes e fazendo o tempo parar para dançar...
Hoje, meu passado é um espelho distorcido, que não mais revela o que sou, mas o que fui, e me orgulho dessa diferença tão inútil e irrelevante que se mostra a imagem do "ontem" e do "hoje", e quem sabe, até a do "amanhã".
Eu só imagino o que acontecerá no próximo dia... Se acordarei melhor ou pior, mais bela ou mais feia, mais alegre ou mais triste...
Quem o teto do meu quarto verá quando amanhecer?

"Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um homem" - Marcel Proust.



Escrito por AislinRFD às 07h16
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*-* Demais *-*

Não sei.
Talvez eu esteja só me perdendo nessa eterna indecisão. Um santo se torna monstro, um monstro se torna Deus, e Deus se torna eu. O "eu" que se perde em cada esquina, quando os passos já não mais são contados. Já foram quantos milhares de passos?
Milhares demais.
Milhares de menos.
Visões, lugares, poemas, rostos, quedas, agouros demais para uma mente incoerente. São coisas que apenas aqueles que conseguem pensar com clareza deviam ver, sentir, perceber. Pessoas que pensam em preto-e-branco, onde não existem "não sei", apenas "sim" e "não". Aqueles sem espírito, cuja mente não passa de uma calculadora, e a alma de uma máquina apodrecida com o tempo.
Eu não sou uma delas.
Meu mundo é pintado em tons de cinza. Momentos mais claros, momentos escuros, e tudo se transforma num eterno talvez, num canto de perdão e agonia. Pensamentos infinitos que tracei, sem saber, num tapete incolor e mortífero, que cheira a sangue e podridão.
Talvez minha mente seja uma longa canção.
Talvez minha alma sejam acordes de um violino partido.
Talvez o que eu veja não sejam flores, e sim espinhos.



Escrito por AislinRFD às 09h34
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*-* Rindo? *-*

Não é engraçado?
Que quando mais queremos algo, mais difícil é alcançá-lo? O desejo, a importância, tudo conspira para tornar a vitória - ou a derrota - mais grandiosa. Sua busca por um grão de areia se torna uma jornada. O motivo, muitas vezes, se perde no caminho, e encontramos outros tantos motivos para seguir.
Não é engraçado?
A dor que consome alguns nessa jornada, ser a alegria de outros? A diversão. O sangue que derramam é o mar de felicidade, onde um certo alguém nadará eternamente, pisando em seus sentimentos e em seu coração.
Não é engraçado?
Que eu mesma já não saiba mais o que escrevo? Que essa solidão, essa confusão que me atinge e me joga contra as paredes e o chão já me leve à loucura. Estou numa corda bamba, presa entre a sanidade e a felicidade. É tão mais fácil cair, e esquecer que não existem véus para me segurar, me salvar da morte.
Não é engraçado?
Como o mundo é um lugar bizarro e perverso?
Como o que queremos não ocorre, e sim o contrário?
Como esses versos são tolos e absortos?
Como eu me perdi nessas linhas infelizes?
Como, à noite, no escuro, só exista você?

Não é engraçado?



Escrito por AislinRFD às 07h34
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